domingo, 17 de maio de 2009

A fé e o conhecimento estão unidos

Por que as pessoas mais improváveis de repente estão falando sobre Deus?
Em seu mais recente livro, Reason, Faith and Revolution (Razão, Fé e Revolução), o crítico inglês Terry Eagleton pergunta: "Por que as pessoas mais improváveis, incluindo eu mesmo, de repente estão falando sobre Deus?" Sua resposta, em prosa ao mesmo tempo mordaz, áspera e brava, é que os outros candidatos a guia – ciência, razão, liberalismo, capitalismo – simplesmente não oferecem o que é realmente necessário. "Qual outra forma simbólica conseguiu forjar ligações tão diretas entre as verdades mais universais e absolutas e as práticas cotidianas de inúmeros milhões de homens e mulheres?"

Muitas coisas terríveis foram feitas em nome da religião, mas ao menos ela tenta algo além da satisfação local, já que seu tema é a natureza e o destino da própria humanidade. Os outros projetos, diz Eagleton, apresentam diversos confortos e prazeres, mas são superficiais e tendem a perpetuar o status quo. O fato de que ciência, racionalismo liberal e cálculo econômico não conseguem perguntar – muito menos responder – questões como "o que veio primeiro?" não pode ser usado contra eles, porque não é para isso que servem. De outro lado, o fato de que religião e teologia não conseguem criar uma tecnologia para explicar como o mundo material funciona não pode ser usado contra elas, porque não é o que fazem.

A fé e o conhecimento, conclui Eagleton, não são antíteses estão entrelaçadas. Não é possível ter uma sem a outra.

Christopher Hitchens afirma que, desde o surgimento do telescópio e do microscópio, a religião não oferece mais explicação para nada importante. Eagleton retruca: "O Cristianismo nunca tencionou explicar nada. É como dizer que graças à torradeira elétrica podemos esquecer Tchekhov".

Stanley Fish,do blog Think Again,The New York Timeshttp://revistadasemana.abril.com.br/edicoes/87/ideias/materia_ideias_469753.shtml- 11/05/2009

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